Agenda

Exposição de Desenho de Maria Keil

de 01/09/2017 00:00 a 31/10/2017 00:00

Patente no Museu Municipal de 01 de setembro a 31 de outubro

Maria Keil – Biografia

Maria da Silva Pires Keil Amaral nasceu em Silves, em 1914, filha de Francisco da Silva Pires, pequeno industrial corticeiro e, de Maria José Silva.

Incentivada por um professor liceal, vem para Lisboa com 16 anos, para entrar no Curso de Pintura da Escola de Belas Artes, onde foi aluna do Mestre Veloso Salgado.

Em 1933 casa com o colega, arquiteto – Francisco Keil do Amaral e, dois anos depois, nasce o seu único filho, Francisco Pires Keil Amaral (Pitum).

A sua prática artística caracteriza-se, desde o início, pela diversidade de técnicas e meios de expressão.

Ao longo da vida irá empenhar-se numa multiplicidade de áreas, entre as quais a pintura e desenho, ilustração, artes gráficas, gravura, azulejo, tapeçaria, mobiliário, decoração, cenografia e figurinos.

Expõe pela primeira vez, em 1939, numa loja de Lisboa.

Entre 1946 e 1956 participa regularmente nas Exposições Gerais de Artes Plásticas, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa – as quais assinalaram uma dinâmica cultural de oposição ao Estado Novo. (Em 1947 um dos seus quadros é confiscado pela polícia política, juntamente com os de mais quatro artistas).

Na pintura destaca-se como retratista.

Expõe ainda, individualmente, em 1945 e 1955. Nesta última com a apresentação inovadora e pioneira de mobiliário e azulejos.

Só volta a expor individualmente em 1983. Realiza a partir daí várias exposições individuais e, participa em muitas coletivas.

Em 1980 beneficia de uma Bolsa de Estudo da Fundação Calouste Gulbenkian e viaja por vários países europeus, para estudar ilustração de livros infantis.

Em 1989 o Museu Nacional do Azulejo promove uma exposição sobre esta faceta da sua obra.

Em 1997 o Museu do Traje expõe a sua criação “Roupa a secar no Bairro Alto”, constituída por fotografia e desenho.

Em 2004 a Biblioteca Nacional realiza uma Mostra Bibliográfica da sua obra como ilustradora.

Maria Keil faleceu em Lisboa, em 2012, com 97 anos.

Em 2013 o Museu da Presidência da República organiza a exposição póstuma intitulada “De propósito – Maria Keil, obra artística”, apresentando uma visão retrospetiva e abrangente da sua criatividade que percorreu várias cidades do País.

 


Maria Keil – Ilustradora

O primeiro livro que Maria Keil desenhou, a capa e as ilustrações interiores, intitulava-se “Começa uma vida”, da grande escritora e amiga – Irene Lisboa.

Os seus traços, duros e esquemáticos, revelam a influência do trabalho gráfico, em publicidade, na qual a artista trabalhava nessa época (1939 – 1940).

Outros escritores ilustres começaram depois a pedir-lhe colaboração.

O desenho tornou-se mais livre e personalizado, até atingir uma bela contribuição para os textos.

José Rodrigues Miguéis, José Gomes Ferreira, Aquilino Ribeiro, Sofia de Mello Breyner, Augusto Abelaira, Mário Dionísio, Ilse Losa, Fernando Lopes Graça, foram alguns desses autores. E também textos clássicos, como os de Almeida Garrett ou Augusto Gil.

Obras de referência, como os “Contos tradicionais portugueses”, ou o “Cancioneiro geral do povo português” beneficiaram com a sua participação gráfica e artística.

Em 1953, Maria Keil ilustra o livro de contos “Histórias da minha rua”, de Maria Cecília Correia, com quem passará a produzir uma série de livros dedicados à infância.

Matilde Rosa Araújo será outra amiga e autora com quem estabeleceu uma bela cumplicidade.

De parceria com Luís Filipe de Abreu criam os livros oficiais de leitura para 1ª e 2ª classes do Ensino Primário (1967 e 1968).

A ilustração de uma longa série de livros infantis de vários autores vai sair da sua mão.

Noutros, para crianças ou adultos, texto e ilustração são de sua própria autoria.

O último livro que ilustrou: - “Florinda e o Pai Natal”, da autoria de Matilde Rosa Araújo, é publicado em 2010. Tinha 96 anos.