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Património Arqueológico

A atual área geográfico-administrativa que integra o concelho de Carregal do Sal é, pela sua génese geomorfológica e orográfica, um espaço que viria a proporcionar excelentes condições naturais de fixação humana, já desde o período Pré-histórico, sendo, no presente, um facto comprovado pelo elevado e diversificado número de testemunhos arqueológicos inventariados atribuíveis aos Períodos Neolítico, Calcolítico e Idade do Bronze, passando pelos vestígios de ocupação romana, até à Idade Média.

Com efeito, em termos de síntese da atividade arqueológica, e após uma prolongada ausência que marcou grande parte da última centúria até ao 25 de Abril, a década de oitenta viria a revelar-se bastante profícua, mormente com as investigações arqueológicas levadas a cabo pela equipa que norteou o Programa de Estudos Arqueológicos da Bacia do Médio e Alto Mondego, chefiada pelo professor Doutor Senna Martinez.

Daí resultaram inúmeros trabalhos de investigação e escavações arqueológicas, com a consequente determinação de cronologias, avaliação de espólios e publicação de resultados que tornaram possível um melhor conhecimento e caracterização das ocupações atribuíveis às primeiras comunidades neolíticas nesta região, associadas à construção e utilização do elevado número de monumentos megalíticos e sítios de habitat existentes neste Concelho (vide Roteiro Arqueológico do Concelho de Carregal do Sal).

Entretanto a década de noventa ficaria marcada com o estudo da Inscrição da Lapa da Moira (Vaz e Fernandes,1997), o levantamento parcial das sepulturas escavadas na rocha, pelo Dr. Jorge Marques (1995) e, posteriormente, feito o seu estudo comparativo com as do concelho de Gouveia, pelas Doutoras Catarina Tente e Sandra Lourenço (1998), cujos resultados viriam a revelar-se como um forte contributo para o conhecimento do legado histórico-cultural deste Município (vide Roteiro Arqueológico do Concelho de Carregal do Sal).

Após esta primeira fase dos trabalhos de levantamento, estudo e de intervenções arqueológicas, bem como da diversidade de informações recolhidas posteriormente acerca do estado atual dos inúmeros sítios arqueológicos, havia que suprir desajustamentos e delinear um adequado programa de ações estruturantes que tivessem em conta a gestão concertada de todo o património arqueológico existente, nomeadamente ao nível do reajustamento ou atualização da inventariação, preocupações com a defesa, salvaguarda e conservação, bem como da urgente valorização, divulgação e fruição destes testemunhos do passado.

Nesse sentido, no ano 2000, a Câmara Municipal, consciente do estado de degradação dos seus inúmeros recursos arqueológicos e sensibilizada para as questões da preservação e salvamento da sua herança patrimonial, além de considerar ser de vital importância para o Concelho e para a história local dar continuidade aos trabalhos já efetuados, viria a assumir e a apoiar não só aquelas medidas, como também incentivar o prosseguimento das ações de revitalização e valorização de todo o património arqueológico do Concelho e promover a sua divulgação junto da comunidade local e público em geral.

Deste modo, no ano 2001 é publicado o Roteiro Arqueológico do Concelho de Carregal do Sal que inclui não só o registo dos trabalhos de levantamento e estudos anteriormente efetuados, como também a publicação dos últimos resultados de prospeções arqueológicas levados a efeito na área deste município.

Estava assim atualizado um instrumento de gestão fundamental, com cerca de meia centena de sítios arqueológicos inventariados e lançadas as bases para a prossecução de uma política que visasse paralelamente não só a preservação e salvaguarda de todo o património arqueológico mas também a sua continuada valorização, proteção e investigação.

Nesta linha de orientação, o ano de 2002 traduzir-se-ia por uma longa lista de intervenções no âmbito dos trabalhos de limpeza, recuperação, conservação e valorização dos monumentos megalíticos do Concelho, cujos resultados viriam a permitir a criação do Circuito Pré-Histórico Fiais/Azenha, na freguesia de Oliveira do Conde, bem como as publicações, em livro e em desdobrável, daquele espaço museológico de ar livre (vide Circuito Pré-Histórico Fiais/Azenha).

Os resultados destas ações tornar-se-iam, assim, evidentes ao nível da dinamização, revitalização e fruição do património local, passando-se de uma total inexistência de sítios arqueológicos visitáveis, para cerca de uma dezena, com condições excecionais de visita àquelas memórias do passado.

Esta prova de vitalidade traduzir-se-ia, por seu lado, por uma nova publicação de cerca de 5000 exemplares da 2ª edição do desdobrável daquele espaço megalítico milenar, pela continuidade de uma política que viria a permitir o prosseguimento de iniciativas futuras para o restante património arqueológico, nomeadamente a criação de novos percursos ou circuitos arqueológicos em outras freguesias do Concelho.

Assim, o ano de 2003 viria a ser consideravelmente profícuo em termos de iniciativas de investigação, reconhecimento, registo, proteção, conservação e valorização de outros testemunhos do passado que culminariam com a recente criação do Percurso Patrimonial das Cimalhinhas, na freguesia de Cabanas de Viriato.

Esta realidade de gestão patrimonial veio a revelar-se, quer em termos de conservação e valorização, quer ao nível da dinamização e fruição turístico-cultural, a via mais promissora e mais adequada para se abranger o maior número de sítios arqueológicos, mormente para aqueles que, à partida, viessem a reunir relevante interesse científico, patrimonial e turístico.

Chegados ao ano de 2004, pode considerar-se que a forte sensibilidade e empenho da Autarquia para com as questões de gestão do seu património histórico-arqueológico, contribuíram decisivamente para infletir as posições do passado, podendo hoje afirmar-se que foram dados passos importantíssimos para o enriquecimento e salvaguarda da nossa herança e identidades culturais, bem como para a preservação e recuperação continuada de todo o seu acervo patrimonial.

Nesse sentido, a apresentação pública da 2ª Fase da Carta arqueológica do Concelho com cerca de três dezenas de novos sítios arqueológicos, resultantes das últimas prospeções arqueológicas, bem como a publicação de um desdobrável e roteiro dedicados ao Percurso Patrimonial das Cimalhinhas, constituem uma clara demonstração no cumprimento dos objetivos traçados.

Por último, a criação e o pleno funcionamento do Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria, constituíram o culminar de todo um projeto que tiveram por objetivos a conservação, investigação e fruição futuras do seu vasto espólio arqueológico, etnográfico, esculturas e coleções de pintura.

Data de Publicação: 17/01/2014